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Realizado pela Prolagos, evento reuniu representantes da pesca artesanal e contou com programação especial do projeto Pescando Tradições

 

A valorização da pesca artesanal, a preservação dos saberes tradicionais e o fortalecimento do diálogo entre pescadores e instituições marcaram o 3º Encontro Regional de Pescadores da Lagoa de Araruama, realizado na sexta-feira (16/10) e no sábado (17/10), em São Pedro da Aldeia. Promovido pela Prolagos, o evento reuniu representantes de associações e colônias pesqueiras, autoridades e instituições ligadas ao setor, em uma programação voltada à troca de experiências, ao reconhecimento da atividade e à construção de iniciativas que contribuam para o futuro da pesca na região.

Com o tema “A Pesca é Cultura”, o encontro aconteceu na orla da Praia da Pitória, em frente à sede da Associação das Organizações da Pesca Artesanal da Laguna de Araruama, no bairro Porto da Aldeia. A programação incluiu rodas de conversa, apresentações culturais, debates sobre os desafios da atividade e uma agenda especial do projeto Pescando Tradições e Compartilhando Saberes, patrocinado pela Prolagos e pelo Instituto Aegea.

Com o tema “A Pesca é Cultura”, o encontro aconteceu na orla da Praia da Pitória. Fotos: Comunicação Prolagos

Durante o primeiro dia, os participantes acompanharam discussões sobre a valorização da pesca artesanal, a preservação da memória das comunidades pesqueiras e os resultados de iniciativas desenvolvidas na Lagoa de Araruama. O encontro também abriu espaço para representantes das associações compartilharem experiências e apresentarem demandas relacionadas ao cotidiano dos profissionais que dependem da atividade para seu sustento.

Para o diretor-presidente da Prolagos, Sinval Andrade, a aproximação com os pescadores é fundamental para compreender as necessidades do setor e fortalecer iniciativas que contribuam para a preservação da lagoa e o desenvolvimento da atividade.

“A Lagoa de Araruama tem uma importância ambiental, econômica e cultural muito grande para a nossa região, e os pescadores são parte fundamental dessa história. Promover esse encontro é abrir espaço para ouvir quem vive diariamente da pesca, conhecer suas necessidades e fortalecer o diálogo entre todos os envolvidos. Acreditamos que a construção de soluções passa por essa troca de experiências e pelo respeito aos conhecimentos de quem tem uma relação tão próxima com a lagoa”, destaca Sinval.

Entre os participantes, o pescador Francisco Guimarães, conhecido como Chico Pescador, ressaltou a importância de manter canais de diálogo abertos entre as comunidades pesqueiras e as instituições que atuam na região.

O encontro abriu espaço para representantes das associações

“O projeto Pescando Tradições é muito bacana porque fortalece a comunidade pesqueira. Já esse terceiro encontro dos pescadores, é uma oportunidade de discutir o que precisa ser fortalecido nas outras comunidades, planejar os próximos passos e, principalmente, manter o diálogo, que é a parte mais importante”, destaca Francisco Guimarães, o Chico Pescador.

Pescando Tradições valoriza cultura e saberes das comunidades pesqueiras

A programação da tarde de sexta-feira foi dedicada ao projeto Pescando Tradições e Compartilhando Saberes, que promove a valorização da cultura pesqueira por meio de ações de formação, intercâmbio de conhecimentos e incentivo à geração de renda. Entre as atividades estiveram apresentações sobre os resultados da iniciativa, exibição de documentário, manifestações culturais e o lançamento do livro Redes de Saberes.

Realizado pelo Instituto Burburinho Cultural, em parceria com organizações pesqueiras, o projeto conta com patrocínio da Prolagos e do Instituto Aegea, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. A iniciativa reúne comunidades ligadas à pesca artesanal de municípios como São Pedro da Aldeia, Cabo Frio, Arraial do Cabo e Iguaba Grande, promovendo o reconhecimento dos conhecimentos transmitidos entre gerações.

Uma das iniciativas desenvolvidas pelo projeto é a formação em biojoias, que transforma materiais como escamas de peixe e conchas em peças artesanais. Além de valorizar elementos ligados à cultura pesqueira, a atividade abre oportunidades de geração de renda, especialmente para mulheres das comunidades atendidas.

Para Luciana Oliveira, coordenadora-geral da Associação dos Pescadores Artesanais do Parque das Garças Integrada (APESCARPEGIN) e artesã de biojoias, o aprendizado proporcionado pelo projeto representa uma oportunidade de autonomia e valorização do trabalho feminino.

A artesã de biojoias, Luciana Oliveira, destaca o empoderamento feminino

“O curso de biojoias trouxe muito mais do que o aprendizado de uma técnica. Ele mostrou para muitas mulheres que elas também podem empreender, gerar sua própria renda e conquistar mais independência. Hoje, temos mulheres que passaram a enxergar novas possibilidades de trabalho a partir de materiais que fazem parte da nossa realidade. Isso fortalece a autoestima, valoriza o nosso conhecimento e mostra a importância de criar oportunidades para as mulheres das comunidades pesqueiras”, conta Luciana.

Na edição anterior, realizada em 2025, o Pescando Tradições beneficiou 85 pescadores e pescadoras, com mais de 150 horas de formação e um intercâmbio de dez dias entre territórios, segundo dados do Instituto Burburinho Cultural.

O segundo dia do encontro foi marcado pela assembleia das organizações de pesca artesanal, que reuniu representantes do setor para discutir demandas e fortalecer a articulação entre as entidades. A programação também contou com feira gastronômica, apresentações culturais, desfile de biojoias produzidas por participantes do projeto e show musical, encerrando os dois dias de atividades dedicadas à valorização da pesca e de suas tradições.

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