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Projeto Retransformar, que irá fazer o reaproveitamento do resíduo, convertendo em gás biocombustível e carvão vegetal, será testado na unidade

 

Na próxima segunda-feira (16), às 14h, a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Arraial do Cabo vai receber o Projeto Retransformar, uma Unidade de Tratamento de Resíduos (UTR), que com uma tecnologia inovadora e sustentável, irá transformar o lodo resultante do tratamento do esgoto doméstico, material que geralmente é descartado em aterro sanitário, em uma substância que pode ser tratada e reutilizada como gás biocombustível ou em um tipo de carvão vegetal, chamado biochar, elemento útil para aplicação na agricultura, para recuperar solos degradados e sequestro de carbono. Os testes do projeto de tratamento de lodo por ‘pirólise lenta à tambor rotativo’, acontecem na unidade operacional da Prolagos, financiada pela Águas do Rio e Secretária Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, em parceria com Agenersa, Universidade Federal Fluminense (UFF) e Prefeitura de Arraial do Cabo.

A unidade terá capacidade para tratar todo o lodo produzido na ETE, ou seja, cerca de 2 toneladas por dia e o projeto terá duração de 3 anos. O equipamento utiliza a ‘pirolise lenta a tambor rotativo’, ou seja, um processo de decomposição termoquímico da matéria. O gás produzido é filtrado e enviado para queimadores e para geração de energia. Uma parcela do gás retorna para alimentar o processo e com isso, não são produzidos gases poluentes ou tóxicos. “Os testes que serão realizados produzirão resultados inovadores no país. Iremos analisar quais são as melhores formas de reaproveitamento do lodo e quais terão melhor custo x benefício, impactando não só empresas voltadas para o saneamento, como também outras indústrias. Também iremos estudar formas de aumentar a capacidade da planta para atendermos estações de tratamento ainda maiores. Por meio de softwares, criaremos gêmeos digitais da unidade e faremos testes simulando a expansão da produtividade”, explica Rodolfo Cardoso, doutor em Engenharia de Produção, da Universidade Federal Fluminense, responsável pelo projeto.

No Brasil, existem muitas formas de tratamento e reaproveitamento do lodo, mas dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE – 2017) indicam que menos de 5% do lodo sanitário é reaproveitado, a maioria é aplicado como compostagem, na incineração e outras formas de gaseificação. “Nossa intenção é construir modelos de aplicação para as diferentes condições das Estações de Tratamento de Esgoto no estado do Rio de Janeiro. Esse investimento vai permitir transformar o lodo, um passivo ambiental de alto impacto, que atualmente é descartado em aterro sanitário, em benefícios para a natureza e sociedade, promovendo uma operação mais sustentável”, ressalta Pedro Freitas, diretor-presidente da Prolagos.

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